quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Regreso

Sin luces la pantalla: espejo inverso de mi universo… una cocinera degolla un violín de cuerdas de tripas y cabeza de gallo, las señales violentas desesperan al público que atónito deja escapar un murmullo casi incomprensible - tu nombre, dicen…
Las calles de todos los días, los mundos enfrente, templos labrados y ajenos, serios, Paulicéia de mi olvido, mudez en la mañana, ojos turbios abarcan con ternura la pálida imagen, fragmentos de tiempo, tiempo de un planeta donde abrazaba y te escondía en la juventud de mi cariño y a fuerzas de mis lágrimas…
Calofríos si te pienso, llanto intenso si te pienso. Amarga postura: espaldas hacia los segundos que en desenfrenado galope avanzan, hecho llamarada y me atraviesan. En mi espíritu rincón ninguno descansa, bajo torturas de piedras blandas, cárcel, privada de esperanzas, en mi regreso un paisaje desierto, son mis ojos aun turbios el agua eterna de tu recuerdo…

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Contínuo

Uma nuvem escura esconde de Montevidéu os bichos úmidos de uma esperança, à espera de um sol mais amarelo, talvez para lavar a bandeira de verdes que não tem, e reverter inversões exatas à flâmula norte americana, as cores desbotam nos pátios pátrios e é um mar de magoa o choro no peito do menino...
Nas ruas músicas deslizam seus acordos nas lajotas finas e quebradas, raízes de potências sumárias arrebentam o cimento para erguer além do céu ramos de verdades, que os têm, sob o firmamento celeste que demorando sobre enamorados uma ternura viva, deixa fundir as alianças, firmando um pacto de mãos dadas.
E é assim que me perseguem as duas amigas antigas de minha infância: imagens e lembranças. De naturezas dispares cada qual com a dor própria o e riso desmedido... sou de mim meu maior aliado, fui de mim meu grande inimigo, mas serei até o fim a finitude de minha sombra e senhor só de minha solidão.
Por isso quando passo, passo a passo os dias nublados, as músicas que emocionam, sob árvores, cheiros, arrepios conhecidos, no mármore alto que a memória esculpiu, no choro vazio de menino, pelas estrelas nas mantas vazadas, uma lua sem destino, fecho forte os olhos e sorrio, um minuto... e serão de novo todas as lembranças no peito guardadas, como o contínuo mar, de repuxo infinito...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ao abrir a foto

Eu achava simples abrir a foto e descobrir tudo o que mudou de nosso pensamento. Como a liberdade que, concentrava as melodias de nosso olhar, eram vertidas, secretamente, na rítmica moribunda de nosso cotidiano...
(Cuesta creer que los deseos, trampas armadas hacia el próximo paso, hayan sido justamente plantadas por el ocaso de nuestro albedrío… que a cada paso al destino multiplica en segundos las partículas tomadas por fugases decisiones… he decidido marchar por el sendero un día más, como si fuera posible, aun solo, llegar por fin, a un día más…)
É… não é nada simples defrontar, utilizando as lentes cristalizadas pela idade, o brilho vertical, o feixe de luz de nossos olhos que fende as dimensões, as paisagens imobilizadas pelo nosso olhar contemplativo que me contempla enquanto eu contemplo a foto... tardes distantes... e feito espírito de cadáver que desespera ao se deparar com a finitude do próprio corpo, assim chorei quando a nossa foto abri, e muito longe percebi, que nesse ato havia tramado, uma vez, entre tantas mais, o nosso fim...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A obra definitiva

Prestes a realizar
a obra definitiva,
esquento as palavras
esfregando as mãos,
nas teclas a calma
de fazer um poema
sincero como o olhar
que entre nosso abraço aperto.

E me interessa muito ouvir a cumplicidade muda de nosso silêncio. E custa muito crer no tempo, no tempo que levamos somados em cada café bebido, no tempo passado de um futuro infinito, no tempo esse espião aliado de nossas conversas, amigo..
Sempre preparo a frente o poema definitivo, transborda de minhas mãos o próprio espírito que respira agitado com a possibilidade de ver-se transcrito, mas é de fato só mais uma tentativa, entre tantas, de manter o vínculo, entre você e eu... e aquilo que amamos: o poema escrito...

terça-feira, 14 de julho de 2009

A sombra mais alta...

Vou descendo as encostas que beiram o grande caudal de prédios, a sombra deles supera em altura qualquer cidade do planeta. Sigo a correnteza, agora vermelha e lenta, são meus arrepios os próprios tremores de asfalto. Desço uma escada, e outra, um viaduto atravessa o céu, um túnel passa sob minha cabeça, cabeça que se multiplica aos milhares nas luzes das poças, cabeças chatas.
Então, no frio de cordilheiras que os morcegos vêm entre as folhas secas, um cântico antigo ressoa no silêncio de tudo, um canto maldito, à saudades...
E é tal canto como a escadaria longa que num sem fim me repito a descer, degraus separam palácios das ruínas, ao longe o fixo deserto tolhe as asas, caminho sem elos, entre a união indivisível do que foi e do que virá. Caminho, pois se correndo fosse, um estreito e rápido fim me conduziria...
Continuo descendo as escadarias e é a saudades lá em cima uma sombra alta, a mais alta que jamais voltarei a pisar...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Asas de meu espírito

Deito as asas de meu espírito nas nuvens suaves que atravessam os séculos, feito descanso de predador planando nas sombras de seu próprio vôo. É alto, alto desejo. Deserto aberto no presídio das pálpebras, aberto o sorriso na imensidão do pensamento em nada. Mas toda ave de rapina desassossega em sua fome de tempos, e a sombra lá de cima começa a se agitar com a ventania, no platô amplo de seus olhos as imagens deslizam velozes e em saltos as presas tardam, um pouco, o inevitável abate... o mergulho rasante não poupará vida.
O corpo então desprende da cama as teias de fadiga a que fora submetido. Corpo que encontra espaço dentro da alma, desafia a queda e estabelece como destino o tortuoso caminho dos versos. A aventura não será fácil: inclinar-se a executar com imagens - sem o uso delas - as imagens oníricas de momentos anteriores. Desenhar o tempo, diluir o espaço no oceano das infindas possibilidades, habitar em contornos invisíveis e efeitos inéditos.
Escrever, atividade nobre. Nobre como a seiva da árvore no bico da calandra que, se chocando nos limites de sua pátria, leva ao lírio, do outro lado do rio, um sistema complexo de nutrientes. Não mais nobre que os dentes trabalhando no almoço sacro do operário. Nobreza como o ato-sacrifício de ensinar. Há uma mágica intrínseca que emana do espírito nobre, atrás dessa mágica apresso as teclas, esticando ao máximo os dedos, roçando o talento, que por natureza, sempre volta a escapar.
As camisas de forças da razão impossibilitam a mobilidade das letras, nada fica com o saber. O saber acaba com a percepção de tudo, com sua contemplação, com tudo que se tenciona em dúvida e com toda a vida que a contradição gera... uma semente a menos nos campos do mundo toda vez que o sábio levanta da terra velhas convicções.... Agora, um astronauta no espaço, joga nas estrelas, uma série de incoerências. É interessante ver a falta de encaixe que há nas arestas únicas de cada luz.
E assim, finco na historia as garras, sigo mudo pelo mundo, rastros de poeira lírica deixo, que mais poderia desejar deixar? Alto, alto desejo. Madrugada adentro o corpo se afoga na cama uma vez mais e a saudades começa apertar... fecho os olhos por um momento, o suficiente pra ele umedecer os sonhos e eu voltar a voar...